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Carol Barreiro

Carta a Magó

Porque quando esse espanto passa mana, quando a tristeza dá uma brecha, quando o ódio acalma um pouco essa fúria em chamas, penso em você com desejo de mato, de selva, de solidão. Penso em você desejando a mais simples e revolucionária forma de ser e estar como mulher no mundo: estar só. Estar incrivelmente só na natureza, abdicando do medo que nos constrange, dançando esse caminho que só se faz com muita solidão, força e destreza. Você, guerreira de tônus capoeira, ágil com prontidão de improviso, base solidificada nesse treino físico, sensório, perceptivo que nunca parou, leve e atenta como aquela coruja branca que nos saudou em algum verão dos tantos que já passamos……com todas as intensidades que perpassam o caminho de uma mulher como você, sinto que a solidão feminina é uma afronta ao patriarcado, você nunca teve o direito de estar sozinha, nós também não temos. A solidão de uma mulher é vigiada É oportunidade de matar É possibilidade de abater É a reação automática de uma masculidade que não suporta ver no corpo feminino a autonomia, a vida e a dança E por fim Acabamos Em certos embates Em certos ringues Nocauteadas por essa monumental avalanche de forças reativas denominada machismo. Mas nem isso mana, que nessa guerra nos preenche de medo, angústia e temor, nem isso nos faz parar de desejar nossa própria solidão. É assim que se constrói a prontidão necessária para a guerra É assim que essa luta não estará totalmente perdida Temos nao só o direito a solidao Mas o desejo de estar plenamente nela Como intensidade necessária para construir nossa autonomia. Sua dança corre em nós magô Agora e sempre! #paremdenosmatar #magópresente #FEMINÍCIDO

Por Carol Barreiro

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