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Arte e vida

Maria Glória Poltronieri Borges – MAGÓ

Magó iniciou sua trajetória nas artes muito cedo, aprendendo a dançar na escola da mãe, a Academia Daisa Poltronieri. Apaixonada pela dança seguiu para o mundo intensificando seus estudos no Ballet Clássico, na Dança Contemporânea, na Acrodança e na Educação Somática.

Com apenas 15 anos mudou-se para São Paulo e obteve a formação técnica da Royal RAD – Royal Academy of Dance com professores londrinos certificados, através da escola Pavilhão D Centro de Artes. Estudou Ballet Clássico e Dança Contemporânea com Ricardo Scheir, Neide Rossi, Eduardo Menezes, entre outros.

Nos anos seguintes integrou a CIA Carne Agonizante dirigida por Sandro Borelli e também o NIC – Núcleo Improvisação em Contato com direção de Ricardo Neves. Em ambas as companhias Magó pôde trabalhar com figuras renomadas da dança como Nita Little, Bruno Caverna, Vanessa Macedo, Mark Taylor, Victor Abreu, dentre outros nas áreas de Dança Contemporânea, Educação Somática e Contato Improvisação. Em 2017 criou a CIA DUO DUE de dança contemporânea junto a sua parceira e irmã Ana Clara Poltronieri Borges, iniciando o estudo e a circulação do espetáculo “Onomatopéias Silenciosas”, “Fragile” e o “Noite Oceânica, Geral Sentiu”.

Magó idealizou e concretizou o PROJECT.ATO a DANÇA COMO ATO em Maringá, trazendo profissionais de todo o Brasil para ministrar oficinas de diversos tipos de dança e apresentando espetáculos nos teatros da cidade de forma gratuita, atraindo um grande público e proporcionando alegria e informação de qualidade. Esse projeto foi possível graças ao Prêmio Aniceto Matti da Secretaria de Cultura de Maringá em 2019.

Além da sua paixão pela dança, Magó era integrante da Associação Cultural Capoeira Angola Paraguassú (São Paulo e Bahia) do Mestre Jaime de Mar Grande. Também integrante do Grupo Sambaiá de samba (Maringá), exercendo e estudando a música, a percussão, a dança e as culturas populares brasileiras.

Magó sempre foi uma menina e mulher muito corajosa e de muita força. Uma força física e de alma. Praticante de Aikido – arte marcial japonesa e também de capoeira. Amante da natureza, frequentava círculos do sagrado feminino e se conectava com os saberes ancestrais das curandeiras e raizeiras do nosso Brasil, que encontram na terra e na natureza a cura para toda e qualquer doença. Honrava muito a vida dessas mulheres e levava isso como filosofia de vida.

Magó se sentia em casa quando estava na natureza. Seja numa cachoeira, sob a luz da lua, num mergulho no mar ou até andando de bicicleta, seu único e principal veículo a vida toda.

Era feminista, lutava pelos direitos da mulher, pela igualdade de gênero. Defendia os povos originários e se emocionava com essa luta, levando essa bandeira com ela no peito.

Tinha uma preocupação grande com o meio ambiente, com a preservação da água, separação do lixo, com a preservação das nossas florestas e dos animais. Era vegana e amava todos os bichos e vidas do planeta, igualitariamente.

Uma perda irreparável

Maria Glória, infelizmente, não está mais conosco. No dia 25 de janeiro de 2020, Magó foi assassinada, vítima de FEMINICÍDIO* numa cachoeira no município de Mandaguari, próximo a Maringá – PR.

*FEMINICÍDIO é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatores que também podem envolver violência sexual).

O crime cometido contra sua vida, chocou o mundo. Mais de 17 cidades na América Latina e Europa, realizaram manifestações em repúdio ao feminicídio e homenageando-a.

Uma onda de arte e homenagens nasceu, uma força amorosa de tentar manter viva a memória de uma mulher que tocou o coração de muitas pessoas. Desde 2020, além das manifestações, e de muitas parceiras e parceiros que estiveram com a família, tivemos, criações de obras de arte, peças de teatro e dança, curta metragem com estreia internacional, evento de capoeira, ladainha de capoeira em sua homenagem, canções inúmeras, videoclipes, livro, revista, colcha de retalhos, tatuagens,  um festival inteiro dedicado a ela, citação e homenagens em dissertação de mestrado, doutorado, artigos acadêmicos, enfim, uma força sem fim que se mantém viva toda vez que evocamos o nome dela: MAGÓ!

Manifestações pelo Brasil

Clique e veja como foram as manifestações em diferentes regiões do país!

2020

Em 2020, tivemos mais de 17 cidades que se manifestaram, a primeira manifestação aconteceu em Maringá em 2020, a cidade natal de Magó – mais de 7 mil pessoas se reuniram em frente à praça da catedral para marchar pela cidade e pedir justiça por Magó! Nesse grande ato artístico nasceu o movimento ‘A Vida Pede Passagem’, nome esse, que foi dado na grande maioria das manifestações que aconteceram ao redor do Brasil. Esse nome, a vida pede passagem, foi criado pelo pai da Magó, Mauricio Borges, porque disse que era como Magó gostaria de se manifestar: com arte! Música, dança, capoeira, samba de roda, cultura popular. É a vida pedindo passagem e justiça pelas nossas!

O movimento foi grande e A Vida pede passagem também aconteceu em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, enfim, em todas as cidades, uma manifestação artística aconteceu e a vida de Magó sendo sempre lembrada!

Conheça algumas ações e iniciativas para combater a violência de gênero

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