Ana Clara Poltronieri Borges
“Magó é indefinível porque ela sempre foi muitas coisas. Posso começar com verdadeira. Ela colocava verdade e coragem em tudo o que fazia. A verdade e a clareza guiavam todas as suas ações. Com coragem ela ia tecendo a vida, tropeçando, caindo, mas levantando com coragem sempre. Única. Um ser único. Tinha um sorriso doce, que quebrava qualquer coração congelado e fazia crescer uma semente de esperança onde nunca se tinha ouvido falar de esperança antes.
Carinhosa e amorosa. Carinho e amor, são quase o significado de Maria Glória. Palavras amorosas, gestos amorosos, dança carinhosa, tocava seu pandeiro com carinho, falava com as pessoas com amor.
Uma coisa que ela levava a sério era a brincadeira. A gente chamava isso de PANAKISSE, com K. A brincadeira, o jogo era levado a sério por nós. Onde tem brincadeira tem sorriso.
Atenta e observadora, via dança em todo e qualquer movimento do corpo humano. Amava as acrobacias circenses e era muito boa nisso. Adorava plantar bananeira em todo e qualquer lugar do globo terrestre e no mundo paralelo dos sonhos. Dançava com tudo o que tinha dentro dela.
Pedalava sua bike como se tivesse indo pra lua encontrar nossas ancestrais.
Cantava como uma deusa, uma voz doce, forte, guerreira.
Lutava aikido. Uma mestra maga zen. Praticava yoga, e jogava muita capoeira. Amava esse jogo-dança que a capoeira levava pra ela. Amava o samba de roda, porque colocava toda a sua potência ali: dança, jogo, sorriso, canto, fé e amor, sempre.
Era uma passarinha livre. Uma anciã guerreira. Corajosa. Uma ótima ouvinte e conselheira. Sabia no momento certo fazer com que eu conseguisse enxergar minha própria força. Sabia, no momento certo instigar a vontade de continuar remando o barco da vida.
Um presente. Uma doce mulher. Uma fada.
#MagóPresente”
Por Ana Clara Poltronieri Borges, irmã de sangue, de vida, de alma
